Paramount lança oferta hostil de US$ 108,4 bi pela Warner em desafio à Netflix

há 1 mês 18

A Paramount Skydance anunciou uma oferta pública de aquisição hostil para comprar a totalidade da Warner Bros. Discovery (WBD)A oferta, que está avaliada em US$ 108,4 bilhões em valor empresarial, é uma tentativa de barrar o acordo previamente anunciado pela WBD para vender apenas seus ativos de estúdio e streaming para a Netflix.

A oferta da Paramount Skydance é de US$ 30 por ação em dinheiro, dirigida diretamente aos acionistas da WBDO comunicado da Paramount Skydance informa que o preço proposto representa um prêmio significativo sobre o preço das ações da WBD antes do início da disputa.

Enquanto o acordo da Netflix visava a aquisição dos estúdios, dos serviços de streaming HBO Max e HBO, e os canais premium HBO e Cinemax, e de todo o acervo de conteúdo, a proposta da Paramount Skydance é pela WBD inteira.

A diferença de escopo é fundamental: a oferta hostil inclui a totalidade da empresa, abrangendo não apenas esses ativos de estúdio e streaming/premium, mas também a divisão de canais lineares da WBD (Global Networks), como a CNN, TNT e os canais Discovery, que no acordo anterior seriam segregados na nova empresa Discovery Global. A estratégia da Paramount Skydance visa criar uma potência midiática capaz de desafiar o domínio de gigantes do streaming como a Netflix.

A oferta foi caracterizada como hostil porque a Paramount Skydance está se dirigindo diretamente aos acionistas da WBD, contornando o conselho de administração da WBD. O conselho havia recomendado o acordo anterior com a Netflix.

O preço de US$ 30 por ação oferecido pela Paramount Skydance é integralmente em dinheiro, o que contrasta com a oferta da Netflix de $27,75 por ação, que era uma combinação de dinheiro e ações. O valor total de empresa da oferta da Paramount Skydance é de US$ 108,4 bilhões.

O desdobramento da disputa pela WBD, com a oferta hostil da Paramount Skydance, altera a dinâmica do escrutínio regulatório e o cálculo de concentração de mercado, especialmente no Brasil.

No mercado de streaming (SVOD), o poder econômico resultante da aquisição integral da WBD pela Paramount Skydance pode ser considerado igual ou levemente inferior ao que seria com a união de Netflix e Warner Bros. (apenas a divisão Studios & Streaming).

A intenção da Paramount Skydance é criar uma nova potência midiática capaz de "desafiar o domínio de gigantes do streaming como a Netflix", unindo seus ativos (Paramount+, estúdios Paramount) com todos os ativos da WBD (Estúdios Warner Bros., HBO Max, HBO e os canais lineares).

Essa fusão cria uma nova concorrente de grande porte, podendo ser vista por reguladores como uma resposta competitiva que aumenta o número de players gigantes no SVOD (três principais: Netflix, Disney e Paramount/WBD), em vez de apenas consolidar o domínio do líder de mercado.

No entanto, a situação é distinta no mercado de televisão por assinatura (linear). A oferta da Paramount Skydance é pela WBD inteira, o que inclui a divisão Global Networks (canais como CNN, TNT, e a divisão Discovery). Se concretizada, a fusão uniria os ativos lineares e esportivos da Paramount com a já concentrada divisão Global Networks da WBD, resultando em uma concentração muito maior de canais de entretenimento, notícias e esportes sob um único conglomerado.

No Brasil e na América Latina, onde a WBD já possui um portfólio robusto (incluindo TNT Sports e toda a rede Discovery), esse aumento de concentração no segmento linear será mais acentuado e provável de gerar forte escrutínio regulatório por parte de órgãos como o Cade.

Essa diferença de impacto exige que as autoridades regulatórias, como a FCC/DOJ nos EUA e o Cade no Brasil, avaliem o acordo em múltiplos mercados de forma independente.

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