SpaceSail: constelação chinesa de satélites busca licença para atuar no Brasil

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spacesailLançamento de satélites da SpaceSail pelo foguete Longa Marcha-6. Foto: Zheng Taotao/Xinhua

A constelação chinesa de satélites de baixa órbita SpaceSail está buscando autorização para operar no Brasil, mirando a oferta de serviços de banda larga para usuários residenciais, corporativos e governamentais, além do atendimento do mercado de Internet das Coisas (IoT). A intenção é concorrer em um segmento hoje liderado pela Starlink.

A empresa chinesa (oficialmente Shangai SpaceSail, ou Qianfan em seu país de origem) protocolou na Anatel em novembro de 2025 um requerimento de direito de exploração para 648 satélites no Brasil, por um período de 15 anos.

Por questões regulatórias, o pedido pode ser aprovado com um número de satélites e prazo reduzidos (entenda mais no decorrer do texto). O tema chegou nesta semana ao Conselho Diretor da Anatel, onde terá como relator o conselheiro Octávio Pieranti.

O início da operação comercial no Brasil está previsto para o quarto trimestre de 2026, mesmo prazo estimado no caso da China. Vale lembrar que a SpaceSail já tem acordo desde 2024 com o governo brasileiro (por meio da Telebras), visando a oferta de serviços de conectividade no País, sobretudo em áreas remotas.

Hoje, o grupo baseado em Xangai conta com 108 satélites em órbita, sendo o lançamento mais recente realizado em outubro de 2025, a partir do foguete chinês Longa Marcha-6. A controladora do projeto é a Shanghai Spacecom Satellite Technology (SSST), ligada ao governo de Xangai e a instituições científicas da China.

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Autorização parcial

No mercado natal, a SpaceSail tem atualmente autorização para apenas metade dos satélites (324) solicitados na Anatel. Porém, o regramento brasileiro não autoriza que os limites definidos no país de origem sejam superados por aqui (seja em prazo de operação ou em número de artefatos).

Por essa razão, a área técnica da Anatel propôs que o direito de exploração da SpaceSail seja autorizado com um limite de apenas 324 satélites, com prazo até meados de 2031 (pouco mais de cinco anos, contra os 15 anos solicitados). A medida, caso adotada pelo Conselho Diretor da agência, espelharia as condições já autorizadas na China.

A empresa poderia solicitar ampliação da frota tão logo a mesma for viabilizada no país asiático. Na União Internacional de Telecomunicações (UIT), a SpaceSail já registra que a constelação pode chegar a até 1.296 artefatos. Veículos oficiais chineses relatam ambição de longo prazo de atingir 15 mil satélites até 2030.

No Brasil, a operação inicial vislumbrada vai exigir a instalação de ao menos seis gateways, ou sites terrestres que fazem a ponte entre a constelação e redes locais. Um gateway está planejado no estado de São Paulo e outro, no Distrito Federal; os demais ainda deverão ter localidades definidas.

Sustentabilidade

Como o Brasil está revisando suas regras para constelações de baixa órbita, há sinalização de que uma autorização para a SpaceSail possa vir acompanhada de requisitos adicionais de sustentabilidade espacial, incluindo possíveis imposições futuras. É o que sugeriu a área técnica da Anatel.

A empresa promete adotar melhores práticas na mitigação de detritos espaciais e na utilização responsável de órbitas espaciais. Entre elas, capacidades de manobra para fins de descarte ao término da vida útil dos artefatos, com deslocamento para que eles possam reentrar na atmosfera e se desintegrar em até 15 anos.

Características

A intenção é que os satélites da SpaceSail funcionem em uma altitude de 1.160 km a partir da superfície da Terra. Eles terão capacidade para operação em subfaixas da Banda Ku e bandas Q/V.

Especificamente, a frota usaria capacidade nas faixas de 10.700 MHz – 12.700 MHz e de 37.500 MHz – 38.000 MHz (enlace de descida) e de 14.000 MHz – 14.500 MHz e de 47.200 MHz – 49.200 MHz (enlace de subida). Para proteção de sistemas geoestacionários, a constelação teria que operar de forma a não causar interferências nos mesmos.

Ainda, a SpaceSail pode não receber proteção contra interferência causada por outros sistemas não geoestacionários com os quais não for possível firmar acordos de coordenação espectral no âmbito nacional. A constelação chinesa, contudo, já trava esforços de coordenação com rivais como Starlink, OneWeb, Kepler e AST SpaceMobile.

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