A sequência de reportagens publicadas pelo IPNews ao longo de 2025 revela um movimento claro e consistente: o mercado de tecnologia entrou em uma fase de reestruturação profunda das carreiras, impulsionada simultaneamente pela escassez de profissionais, pela aceleração da inteligência artificial e pela necessidade de ampliar diversidade, inclusão e novos caminhos de formação.
O ponto inicial dessa linha do tempo está na formação de talentos em escala. Programas como o Santander Bootcamp, que retorna com 35 mil bolsas de estudo, e o Hackers do Bem, que abre 25 mil novas vagas para formar profissionais de cibersegurança, mostram que grandes empresas, instituições financeiras e iniciativas público-privadas passaram a atuar diretamente na qualificação de mão de obra. Essas ações não surgem por acaso: elas respondem a um déficit estrutural de profissionais em áreas críticas como desenvolvimento, segurança da informação e infraestrutura digital.
À medida que a formação básica se expande, o foco passa a recair sobre quais competências realmente diferenciam um profissional de TI. O artigo Carreira em TI: qualificações essenciais para se destacar na área destaca que o mercado já não valoriza apenas domínio técnico, mas também habilidades como pensamento crítico, comunicação, capacidade de adaptação e aprendizado contínuo.
Esse movimento é reforçado por outro artigo, Além do código: carreira em tecnologia nem sempre exige especialização, que amplia a discussão ao mostrar que há espaço crescente para profissionais com perfis híbridos, capazes de transitar entre tecnologia, negócios, design, jurídico e gestão.
Essa mudança de perfil ajuda a explicar a ascensão de novas funções. O artigo Engenharia de soluções: uma carreira em ascensão para jovens profissionais ilustra como o mercado tem demandado profissionais que atuam na interseção entre tecnologia e cliente, combinando conhecimento técnico com visão estratégica e capacidade de traduzir soluções complexas em valor de negócio. O crescimento dessa função indica que o futuro da TI é cada vez menos isolado e mais integrado às decisões corporativas.
Paralelamente à redefinição das funções, surge um debate central sobre liderança e representatividade. A matéria 19,2% dos especialistas em TI no Brasil são mulheres, revela Observatório Softex expõe um desequilíbrio persistente no setor, ao mesmo tempo em que outras reportagens mostram iniciativas para enfrentá-lo. Um exemplo é o programa de mentoria lançado pela TIM para acelerar a carreira de mulheres na tecnologia, que evidencia o reconhecimento, por parte das empresas, de que diversidade não é apenas uma pauta social, mas também estratégica para inovação e competitividade.
Essa discussão se conecta à valorização de lideranças femininas já consolidadas, como a liderança de Renata Petrovic da equipe de inovação do Bradesco. O destaque dado a esse tipo de liderança indica uma tentativa de criar referências e inspirar novas trajetórias em um setor historicamente dominado por homens.
Com o avanço da tecnologia, outro eixo passa a influenciar diretamente as decisões de carreira: a inteligência artificial. Mais da metade (58%) dos executivos C-level acreditam que a IA afetará seus planos de carreira a longo prazo, mostrando que o impacto da IA não se restringe a cargos operacionais, alcançando também posições de liderança. A tecnologia passa a ser vista não apenas como ferramenta, mas como um fator que redefine funções, competências e até mesmo trajetórias profissionais inteiras.
Ao mesmo tempo, a IA deve ampliar — e não reduzir — a demanda por profissionais de TI, como aponta relatório da Linux Foundation. A expectativa é de que a inteligência artificial tende a transformar o trabalho, criando novas funções e exigindo requalificação contínua, em vez de simplesmente eliminar postos.
Esse cenário de transformação tecnológica e regulatória também abre espaço para novas formações acadêmicas híbridas, como o lançamento do MBA em Direito e Tecnologia da USP, uma forma de preparar profissionais para o cenário da inteligência artificial. A iniciativa reflete uma demanda crescente por profissionais capazes de lidar com questões legais, éticas e regulatórias associadas ao uso de IA e dados, ampliando ainda mais o conceito tradicional de carreira em tecnologia.
O fio condutor de todas essas reportagens é claro: o mercado de TI vive uma transição em que formação em massa, diversidade, inteligência artificial e perfis híbridos se tornam elementos centrais. A carreira em tecnologia deixa de ser um caminho linear, restrito ao código ou à infraestrutura, e passa a se configurar como um ecossistema de possibilidades, no qual aprender continuamente, transitar entre áreas e compreender o impacto da tecnologia no negócio e na sociedade se tornam diferenciais decisivos.
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há 2 meses
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