O setor de inteligência da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) apreendeu quatro antenas de comunicação via satélite da empresa Starlink, de Elon Musk, e 14 aparelhos celulares das marcas Samsung, Apple, Motorola, entre outras. No meio dos smartphones apreendidos havia modelos de última geração, com o iPhone 17 Pro Max, com preço de mercado superior a R$ 9 mil.
Porém, o que chama a atenção não é a lista ou o preço dos aparelhos em si, mas sim o fato de que esses produtos estavam em uso no presídio Gabriel Ferreira de Castilho, o famoso Bangu 3, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Atualmente, a unidade abriga os chefes da facção Comando Vermelho (CV) e integra o Complexo Penitenciário de Gericinó, onde novos bloqueadores de sinal estão em operação há cinco meses.
De acordo com a Seppen, a apreensão das antenas evidencia a tentativa dos detentos de burlar esse novo sistema de bloqueio por meio de sinal via satélite. Dessa forma, eles explorariam essa alternativa aos bloqueadores instalados para continuarem a fazer uso do celular, Wi-Fi e até mesmo garantir a aproximação de drones, justamente os três tipos de conectividade que o bloqueador tem a missão de impedir o uso.
Os bloqueadores começaram a ser instalados em janeiro deste ano e já cobrem dois presídios do complexo: o Bangu 3 e o Jonas Lopes de Carvalho, o Bangu 4, onde ficam os chefes do Terceiro Comando Puro (TCP). A licitação prevê a expansão da tecnologia para 49 unidades prisionais no total, com custo estimado de R$ 431 milhões.
A Seppen utilizou uma ferramenta específica de rastreamento para localizar os aparelhos dentro da unidade. Além disso, a secretaria abriu uma sindicância para apurar como o material entrou no presídio.
Essa descoberta reacende o debate sobre os limites dos bloqueadores convencionais diante de tecnologias de comunicação via satélite, como a Starlink. O episódio ocorre em um momento em que o governo do estado ainda está no início do processo de expansão dos sistemas de bloqueio para as demais unidades prisionais fluminenses.
Com isso, vai caber a liderança a missão de entender até que ponto esse gasto vai inibir a comunicação dos “cabeças” com seus “capangas” que estão do lado de fora. Além disso, há a necessidade de se entender como tais dispositivos foram levados ao presídio antes da apreensão.
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(atualizado em 02 de junho de 2026, ?s 16:54)
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