Diretor de políticas públicas e competição da TIM Brasil, Marcelo Mejias. Imagem: Conexis Brasil DigitalO modelo atual de telecomunicações vai enfrentar dificuldades para monetizar os investimentos necessários para a expansão do tráfego de dados e da inteligência artificial (IA). É o que apontou debate realizado durante o segundo dia do Painel Telebrasil Summit 2026.
"Hoje, a gente não consegue precificar a rede em que a gente investe. E isso é um risco", disse o diretor de políticas públicas e competição da TIM Brasil, Marcelo Mejias, durante o evento em Brasília.
Segundo ele, o crescimento acelerado do tráfego e das exigências técnicas das aplicações de IA pressiona o modelo econômico das operadoras. "Precisamos buscar recursos dos demais elos dessa cadeia digital", disse o executivo em referência às plataformas digitais, hyperscalers e big techs.
"Não estamos falando aqui de precisar que alguém financie um investimento porque as ações vão subir ou descer. O ponto é que temos evidências sobre crescimento de tráfego na rede, que tem demanda de aplicação e de latência cada vez mais exigente. Precisamos encontrar recursos para que, negocialmente e comercialmente, possamos chegar a soluções que realmente vão nos levar ao Brasil digital que temos buscado", comentou.
Modelo insustentável
Mejias avaliou ainda que o modelo tradicional de conectividade tende a se tornar insuficiente diante das novas demandas tecnológicas. "A rede não pode continuar sendo percebida na esfera agêntica como best effort [melhor esforço]", disse.
Para ele, o setor precisará desenvolver modelos de conectividade diferenciada e novas formas de negociação comercial para viabilizar investimentos em infraestrutura.
"Precisamos começar a tentar entender melhor como podemos rentabilizar e assegurar uma reformulação desse modelo [atual], pois ele provavelmente não é sustentável", comentou.
CT head da Nokia, Rodrigo Weber, por sua vez, mencionou estudos recentes que apontam o Brasil como tendo uma das Internets móveis e fixas mais rápidas do mundo. Mesmo com o "marco importantíssimo", há espaço para avanços.
"Quando a gente olha para o ARPU [receita média por usuário], não vemos esse mesmo reflexo", comentou. De acordo com Weber, as operadoras no Brasil executam um trabalho "difícil", tendo em vista "a fonte de receita" que essas empresas possuem.
Mudanças
Consultor e ex-conselheiro da Anatel, Igor Freitas falou sobre a necessidade de atualização regulatória, sobretudo diante da expansão da IA.
"Na era da IA agêntica, a dimensão de transporte da informação deixa de ser o único problema ou mesmo o principal problema das operadoras". Segundo ele, o setor passa por uma transformação em que processamento, armazenamento e inferência ganham relevância econômica crescente.
Já o conselheiro substituto da Anatel, Nilo Pasquali, defendeu que as operadoras busquem novas formas de monetização das redes diante do aumento esperado do tráfego e da demanda computacional provocados pela inteligência artificial.
Pasquali argumentou ainda que a sustentabilidade das teles passa pelo entendimento de que essas empresas não podem ser somente simples provedores de dados. Ou seja, as operadoras precisariam incorporar novos serviços e modelos de negócio ligados à IA para manter relevância econômica no mercado digital.
Neutralidade e fair share
Já Pablo García, diretor Associação Interamericana de Empresas de Telecomunicações (Asiet), entidade que reúne operadoras do setor na América Latina e Espanha, mencionou o debate sobre neutralidade de rede e afirmou que o avanço para redes mais autônomas deverá permitir diferentes níveis de conectividade, distinguindo aplicações cotidianas de serviços críticos.
Segundo ele, isso pode abrir espaço para novos modelos de monetização e ampliação de investimentos pelas operadoras.
García também entende que, no debate sobre o chamado fair share, as teles perderam muita energia na conversa sobre uma eventual solução. "Deveríamos estar discutindo o diagnóstico", comentou.
Segundo García, haveria praticamente consenso de que o setor enfrenta pressões relacionadas à necessidade de ampliar investimentos, às assimetrias regulatórias e ao crescimento acelerado do tráfego e do consumo energético.
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há 23 horas
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