Xô, Microsoft: estado na Alemanha cancela contrato bilionário

há 4 horas 4
Resumo
  • O estado alemão da Baviera cancelou um contrato de 1 bilhão de euros com a Microsoft para implementar um conjunto de aplicativos de produtividade na administração pública.
  • A decisão foi tomada para adotar um “pacote de produtividade básico soberano” feito com base em componentes de código aberto, visando garantir o uso dos serviços em crises e proteger o estado contra aumentos de preço.
  • A mudança faz parte de um movimento mais amplo na Europa, com países como França, Suíça e Holanda, que buscam alternativas de código aberto para reduzir a dependência de empresas dos EUA, bem como promover transparência e segurança.

O estado alemão da Baviera anunciou o cancelamento de um acordo com a Microsoft. O contrato previa a implementação do conjunto de aplicativos de produtividade da empresa na administração pública. Ainda em fase de planejamento, ele teria o valor de 1 bilhão de euros (cerca de R$ 5,91 bilhões, em conversão direta) por um período de cinco anos.

A decisão foi anunciada pelo Ministério de Assuntos Digitais da Baviera. Segundo o órgão, o estado vai procurar um “pacote de produtividade básico soberano”, feito com base em componentes de código aberto.

Por que a Baviera preferiu o open source?

Fabian Mehring, chefe da pasta de Assuntos Digitais, defendeu que a mudança para ferramentas open source garantiria o uso dos serviços em crises, protegeria o estado contra aumentos de preço e permitiria priorizar a segurança dos dados.

Segundo o site Cybernews, o cancelamento foi assunto de uma queda de braço que durou meses. De um lado, estava o Ministério das Finanças, que defendia consolidar os contratos existentes e garantir descontos. Do outro, estava o Ministério de Assuntos Digitais, que defendia o uso de soluções open source.

Europa busca alternativas de código aberto

O movimento da Baviera não é isolado. Munique, a capital do estado, passou a adotar ferramentas de código aberto como padrão para seus setores administrativos, deixando de lado os produtos da Microsoft.

O governo local quer seguir o princípio de “dinheiro público, código público”, que defende que software pago com dinheiro de impostos deve estar disponível para o público no futuro. Além disso, a ideia é fugir dos preços altos e dos pacotes fechados oferecidos pelas grandes empresas.

A decisão encontra eco no governo federal: em março de 2026, a Alemanha anunciou que os documentos do setor público seriam publicados somente em formatos abertos, deixando de lado formatos proprietários como o do Microsoft Word.

Não é só a Alemanha que está fugindo de softwares proprietários — outros órgãos públicos europeus têm tomado decisões semelhantes, em países como a França, a Suíça e a Holanda.

Além da economia, da segurança e da transparência, esse movimento visa reduzir a dependência de empresas dos Estados Unidos, temendo a imprevisibilidade do governo de Donald Trump e a possível ingerência nessas companhias.

A França, inclusive, vai deixar de usar até mesmo plataformas de videochamadas como Microsoft Teams e Google Meet, adotando o Visio, desenvolvido especialmente para servidores públicos do país.

Com informações do Cybernews

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