O mercado de computação espacial da Maçã passará por um longo período de hibernação. Após movimentar a indústria com o lançamento do modelo original e sua posterior atualização, a Apple decidiu colocar a categoria de headsets "no gelo". O plano de lançar uma versão mais barata, compacta e leve do Vision Pro foi postergado e o dispositivo não deve chegar ao mercado antes do final de 2028 ou meados de 2029.
As informações partem de Mark Gurman, analista da Bloomberg, em sua mais recente edição da newsletter Power On. O movimento reflete uma mudança drástica na governança de produtos da gigante de Cupertino, que optou por paralisar o desenvolvimento ativo de um sucessor direto do headset para priorizar o segmento de óculos inteligentes equipados com IA.
A estratégia de recuo técnico responde diretamente aos dois principais pontos de atrito do modelo atual: o preço proibitivo de US$ 3.499 (aprox. R$ 17.615) e o desconforto físico causado pelo peso excessivo do chassi de alumínio e vidro. Internamente, a Apple reconhece que precisa resolver essas falhas de design estrutural e de posicionamento comercial antes de tentar uma nova incursão em escala no segmento.
Com o desenvolvimento congelado, o atual ecossistema de headsets da marca não receberá novidades de hardware tão cedo. O modelo topo de linha continuará sendo a versão atualizada do Apple Vision Pro lançada em outubro de 2025, equipada com o processador M5 e a faixa de cabeça Dual Knit Band. Este dispositivo servirá como o único bastião da plataforma espacial da empresa pelos próximos dois a três anos.
Para viabilizar a nova rota, a Apple promoveu uma reestruturação profunda no Vision Products Group. A divisão foi fragmentada e a maior parte dos engenheiros de hardware e software foi redirecionada para a equipe responsável pelo desenvolvimento de óculos inteligentes convencionais.
Convém pontuar uma distinção crucial feita pelo analista: o vindouro headset mais leve planejado para o final desta década não se confunde com o massivamente especulado "Vision Air" (codinome N100), cujo projeto de baixo custo foi formalmente cancelado pela Apple no ano passado para que os recursos fossem investidos em tecnologias de IA vestível.
Ainda que relatórios de cadeia de suprimentos indiquem que a Maçã voltou a dedicar uma parcela mínima de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para um headset comercialmente viável, o cronograma é estendido. Como o Vision Pro original foi apresentado na WWDC 2023 e levou anos para se consolidar, o horizonte de lançamento para 2029 coloca o futuro dispositivo a uma distância temporal equivalente ao ciclo de maturação do primeiro modelo.
Com os headsets em segundo plano, a prioridade absoluta da liderança da Apple — sob a transição operacional de comando — tornou-se o projeto de óculos inteligentes de formato tradicional (codinome N50). O objetivo é competir diretamente com o sucesso comercial dos óculos da Meta em parceria com a Ray-Ban, apostando em um formato leve, sem telas integradas e focado em comandos de voz e captação contextual.
O cronograma inicial da Apple previa o anúncio desses óculos com IA para o final de 2026, com entregas no início de 2027. No entanto, Gurman aponta que desafios no refino do processamento de inteligência visual forçaram um adiamento. A nova meta da companhia é realizar o lançamento global do vestível no final de 2027.
O dispositivo funcionará como um acessório direto do iPhone, integrando câmeras ovais verticais, microfones e o ecossistema da Apple Intelligence para processar o ambiente ao redor do usuário, pavimentando o caminho para a realidade aumentada real apenas em uma fase posterior, prevista para a próxima década.
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