Brasil precisa do Redata se quiser duplicar data centers, diz Ascenty

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Werner Suffert (à esq.), Christopher Torto (ao centro) e Marcos Siqueira, da AscentyWerner Suffert (à esq.), Christopher Torto (ao centro) e Marcos Siqueira, da Ascenty (crédito: Teletime)

A Ascenty defende a aprovação do Redata, programa que reduz tributos federais sobre equipamentos de data centers, ainda este ano como forma de acelerar os investimentos no setor no Brasil.

Na avaliação da empresa, os investimentos no segmento virão mesmo sem o programa, mas em volume abaixo do potencial de atração do País.

"Se nós quisermos duplicar ou triplicar o parque de data centers no Brasil, precisamos do Redata", afirmou Christopher Torto, CEO da Ascenty, nesta quarta-feira, 27, em coletiva de imprensa em Vinhedo, no interior de São Paulo. Lá ocorreu anúncio do aporte de US$ 1,2 bilhão para construção de quatro data centers no estado.

"Estamos falando em trazer 2032 para hoje, porque a decisão de investimento ocorre agora. Os clientes não vão esperar até 2032 para tomar a decisão sobre onde vão colocar os data centers", complementou. Torto se referiu ao ano de 2032 porque o Redata, na prática, antecipa os efeitos da reforma tributária previstos para este horizonte.

O executivo ainda ressaltou que o Brasil tem diversas vantagens competitivas para data centers – como energia barata e renovável, cabos submarinos e mercado doméstico. Contudo, "a grande desvantagem são os impostos, principalmente sobre os equipamentos que devem ser importados", asseverou Torto.

Segundo ele, em cima do investimento da Ascenty, os clientes que vão ocupar os data centers devem desembolsar cerca de US$ 5 bilhões em equipamentos. Em sua avaliação, com o Redata, os valores investidos poderiam ser maiores.

"As empresas globais olham o mundo para investir, é o Brasil versus o mundo", pontuou. "Aqui é um dos melhores lugares para se colocar data centers no mundo, só falta o Redata para trazê-los para cá. Há uma avalanche de investimento [vindo] com o Redata", argumentou.

Investimentos previstos

Na coletiva, o CFO da Ascenty, Werner Suffert, comentou que tanto a empresa quanto os clientes não estão considerando o Redata para os investimentos nos data centers anunciados nesta quarta.

Citando um dos casos – o data center Sumaré 3, pré-alocado para um único cliente (single tenant), com previsão de entrada em operação em setembro de 2027 –, Suffert explicou que o contratante já avaliou o impacto tributário com as regras atualmente em vigor.

"O cliente já escolheu a opção de tributação – o ex-tarifário, por exemplo, é uma forma de reduzir de maneira significativa a carga tributária de equipamentos. No caso de clientes assim, a opção tributária normalmente já foi avaliada", disse.

De todo modo, o CFO ponderou que os efeitos da reforma tributária entrarão em vigor de forma escalonada, entre 2027 e 2032. "O Redata traz para agora toda uma curva até 2032. O tempo até 2032 é muito longo, e boa parte desse ciclo se decide agora", frisou.

Estratégia em SP

A diretoria da Ascenty afirmou que a estratégia de investir no estado de São Paulo está ligada à demanda dos clientes por cargas de trabalho de Inteligência Artificial (IA).

Marcos Siqueira, CRO e head de Estratégia da empresa, indicou que a latência entre uma aplicação usada na capital paulista e um data center no interior do estado (os próximos data centers da Ascenty serão em Vinhedo e Sumaré) é de aproximadamente 2 milissegundos (ms). Caso fosse dependente de uma estrutura nos Estados Unidos, a taxa subiria para 150 ms.

"Essa diferença, dependendo da situação, é imperceptível para o usuário. Mas, dependendo da aplicação, pode ou não funcionar", asseverou Siqueira.

Nesse sentido, o diretor indicou que a empresa deve continuar investindo no território paulista, onde também conta com data centers em cidades como Osasco, Jundiaí, Hortolândia, Paulínia e Campinas.

Vale lembrar que a Ascenty ainda anunciou, no início deste mês, a construção do seu sexto data center em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.

"Temos planos de continuar investindo nessa região. Estar próximo a São Paulo capital é um grande benefício. A região tem terra disponível [para construção de sites], conectividade e mão de obra para construção, operação e atividades dos nossos clientes", ressaltou Siqueira.

(O jornalista viajou a Vinhedo a convite da Ascenty)