Claro lança GPU como serviço para projetos de IA no Brasil

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Claro aposta em serviço de aluguel de GPUs para projetos de IA no BrasilCPO da Claro, Mario Rachid Rego; e a CEO da Claro empresas para PME, Roberta Godoi. Imagem: Danilo Paulo/Teletime

A Claro oficializou nesta terça-feira, 9, durante o Web Summit Rio, o lançamento de uma oferta de GPU as a Service (unidades de processamento gráfico como serviço) para clientes corporativos.

A solução permitirá a contratação de capacidade computacional para aplicações de inteligência artificial (IA) sob demanda e faz parte da estratégia da operadora para ampliar a atuação em serviços de cloud e IA.

A oferta é um desdobramento da parceria anunciada pela tele com a Nvidia e a Oracle em fevereiro. A companhia passou a integrar o programa Nvidia Cloud Partner (NCP), que serve de base para a nova oferta voltada ao mercado corporativo.

"Você poderá comprar partes de GPU e pelo tempo que precisar usar", disse o CPO da Claro, Mario Rachid, durante coletiva de imprensa. "Esse modelo já existe, mas fora do Brasil". De acordo com o executivo, a menor unidade comercializada será 1 MIG (Multi-Instance GPU) com contratação mínima de uma hora.

CEO da Claro empresas para PME, Roberta Godoi afirmou que a iniciativa está alinhada ao investimento de R$ 1 bilhão anunciado em 2025 para expansão da plataforma Claro Cloud. "Experimentar IA hoje é mais fácil, porque a experimentação está mais acessível. O difícil é escalar", disse a executiva.

Hospedagem no Brasil nos planos

Atualmente, as GPUs utilizadas na oferta da Claro estão hospedadas fora do Brasil. Questionado sobre a possibilidade de nacionalização da infraestrutura, Mario Rachid Rego afirmou que a Claro trabalha para ampliar a capacidade instalada localmente.

"Essa GPU as a service que estamos lançando agora ainda é usando [hospedagem] fora, mas a ideia é que a gente traga", comentou. O executivo também afirmou que o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) pode acelerar investimentos.

"Não vou dizer que não traremos [o processamento ao Brasil] sem o Redata. Mas, com certeza, vamos trazer muito menos do que traríamos com ele", disse Rachid. 

A proposta do governo federal citada pelo executivo é voltada à atração de investimentos em data centers por meio de incentivos tributários. Ela já foi aprovada pela Câmara, mas está parada no Senado, onde aguarda análise. 

Estratégia

O serviço de GPU as a service (ou simplesmente GPUaaS) da Claro tem como foco empresas que desejam desenvolver ou testar aplicações de IA sem a necessidade de adquirir infraestrutura própria, mirando diversos portes de companhia.

Segundo Mário Rachid, a ideia é permitir que empresas iniciem projetos de menor escala e ampliem gradualmente o consumo de processamento, conforme a evolução das aplicações.

O CPO da Claro notou que o modelo tradicional de contratação de GPUs costuma exigir a compra de blocos fechados de capacidade, o que pode resultar em subutilização dos recursos nas fases iniciais dos projetos.

A operadora também citou o suporte local em português e o faturamento em reais como apostas de diferenciais competitivos.

IA na Claro

Além da oferta de infraestrutura como serviço, a Claro afirmou que vem desenvolvendo serviços de inteligência artificial em modelo de plataforma (PaaS) e disponibilizando ao mercado modelos de linguagem utilizados internamente pela companhia. 

Segundo a operadora, a infraestrutura utilizada na oferta também será aplicada em iniciativas de pesquisa desenvolvidas em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), nas áreas de IA e redes 5G