A agência de classificação de risco Fitch Ratings manteve a nota de crédito de longo prazo "AAA(bra)" da TIM Brasil, conforme relatório sobre os negócios e as finanças da operadora. Não houve alteração em relação à nota atribuída no ano passado.
O mesmo rating foi afirmado à segunda emissão de debêntures seniores sem garantias da tele. A perspectiva dos ratings é estável.
De acordo com a Fitch, a nota "reflete o sólido perfil de negócios da TIM Brasil". A operadora, na avaliação da agência, conta com uma "forte estrutura de capital e robusta liquidez".
A Fitch, contudo, pondera que a operadora tem negócios limitados ao Brasil e ainda é muito dependente dos serviços de telefonia móvel.
A agência também afirma que, do ponto de vista da governança, a existência de duas camadas de dívida é considerado um fator negativo, por aumentar a complexidade da estrutura da companhia. O impasse judicial do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) também foi apontado como uma preocupação.
Operacional
No que diz respeito às operações, a Fitch avalia positivamente a "forte cobertura e capacidade de rede" da TIM em todo o País, com uma carteira de aproximadamente 62 milhões de clientes móveis.
A agência também lembra que a tele ainda conta com cerca de 700 mil linhas fixas e quase 900 mil assinantes de banda larga. Além disso, não tem exposição ao serviço de TV por assinatura, em decadência em função do crescimento das plataformas de streaming.
No entanto, a agência classifica a concorrência na telefonia móvel no Brasil de "racional, porém intensa" – na prática, isso limita a política de precificação dos serviços. A projeção é de que o mercado móvel nacional cresça de 1% a 2% por ano nos próximos três anos, puxado por operações M2M.
Projeções financeiras
O relatório da Fitch indica que a TIM deve reportar lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 11 bilhões, em 2026, e R$ 12 bilhões, em 2027.
Já o fluxo de caixa livre (FCF) deve ficar ligeiramente acima de R$ 2 bilhões neste ano e no próximo, após investimentos médios anuais na casa de R$ 4,5 bilhões. A operação deve ser sustentada pelo crescimento da receita média por usuário (ARPU), sobretudo nas verticais corporativa (B2B), de banda larga e serviços digitais.
Conforme estimativa da agência, a dívida líquida da operadora deve ficar em torno de R$ 2 bilhões neste ano, caindo para R$ 600 milhões no ano seguinte. Com isso, a expectativa é de que a alavancagem líquida consolidada fique abaixo de 1x.
Fistel preocupa
Apesar das boas perspectivas para a TIM, a Fitch considera o litígio em torno do Fistel uma preocupação para a operadora.
A agência salienta que, embora a TIM venha realizando provisões de forma periódica para o pagamento das taxas, a estimativa é de que o saldo devedor some R$ 4,6 bilhões ao fim do primeiro trimestre deste ano.
"Não há estimativa para a conclusão deste processo. Em um cenário hipotético desfavorável para a TIM, a Fitch acredita que a empresa usaria parte de seu sólido caixa e não teria dificuldade em acessar o mercado de dívida", sugere a agência.
Vale lembrar, há uma ação pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os valores cobradas em taxas que compõem o Fistel, além de um processo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) a respeito da suspensão de pagamento por parte das grandes teles desde 2020.
Comparação com rivais
No relatório, a Fitch ainda revela que o rating da TIM é semelhante ao da Telefônica Brasil, dona da Vivo. Além disso, ressalta que a classificação da TIM está "vários graus acima" da nota da Oi, tendo em vista que a operadora em recuperação judicial não consegue honrar o pagamento de suas dividas.
"Os dois grupos [TIM e Vivo] apresentam forte perfil de negócios, derivado de robustas posições de mercado e da força e resiliência da geração de CFO e da rentabilidade. Estas operadoras apresentam estrutura de capital conservadora e forte liquidez", avalia.
Por fim, a Fitch reporta que o rating do Grupo TIM (antiga Telecom Italia), controlador da operadora brasileira, está em "BB+", com perspectiva estável. Trata-se de um rating equivalente ao atribuído à TIM na escala nacional.
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há 19 horas
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