Correios têm prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre

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Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, ante perda de R$ 1,73 bilhão no mesmo período de 2025. A receita líquida de vendas e serviços caiu de R$ 3,95 bilhões para R$ 3,86 bilhões na comparação anual, segundo as demonstrações contábeis intermediárias aprovadas pelo Conselho de Administração em 27 de maio.

Correios empréstimo UniãoFoto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O resultado foi pressionado principalmente pelo aumento das despesas gerais e administrativas, que passaram de R$ 1,23 bilhão para R$ 2,27 bilhões. A estatal também registrou resultado financeiro negativo de R$ 636,9 milhões, ante perda financeira de R$ 232,4 milhões no primeiro trimestre de 2025.

Reestruturação e continuidade operacional

Nas notas explicativas, a administração afirma que as demonstrações foram elaboradas com base no pressuposto de continuidade operacional. Para isso, considerou projeções de fluxo de caixa, posição de liquidez, estrutura de capital, desempenho recente, acesso a financiamento e estágio de implementação do plano de reestruturação.

O documento aponta pressões sobre caixa e resultados decorrentes da queda das receitas em serviços postais tradicionais, aumento de custos operacionais, reajustes salariais, passivos judiciais e concorrência em segmentos logísticos de maior rentabilidade. Também cita a manutenção de uma estrutura operacional de alta capilaridade, associada à obrigação legal de prestação do serviço postal universal.

O plano de reestruturação tem três eixos: redução de despesas e aumento de eficiência; diversificação de receitas e modernização do modelo de negócios; e recuperação da liquidez e previsibilidade financeira. Entre as medidas, estão revisão de contratos, racionalização de estruturas, desmobilização de imóveis ociosos, automação de processos, otimização de rotas, integração logística, novos serviços logísticos, digitais e financeiros, além do Plano de Desligamento Voluntário.

Crédito da União e nova dívida

A estatal contratou, no fim de 2025, operação de crédito de R$ 12 bilhões com garantia da União. O financiamento tem prazo total de 15 anos, três anos de carência para principal e juros, e amortização em 144 parcelas mensais a partir de janeiro de 2029.

Em janeiro de 2026, os Correios quitaram antecipadamente uma operação anterior de R$ 1,8 bilhão junto a sindicato de credores. Segundo as demonstrações, a substituição alongou o prazo médio da dívida e trocou uma operação de custo mais elevado por outra com garantia da União e custo efetivo menor.

A empresa também informa que seguem em andamento tratativas para contratar financiamento externo junto ao New Development Bank, no valor equivalente a R$ 4,2 bilhões, destinado ao Programa de Modernização e Transformação Ecológica.

Provisões judiciais crescem

As provisões para contingências chegaram a R$ 4,66 bilhões em 31 de março de 2026, ante R$ 3,60 bilhões no fim de 2025. Do total, R$ 3,95 bilhões correspondem a processos trabalhistas, R$ 461 milhões a ações cíveis e R$ 251 milhões a demandas fiscais.

O aumento de R$ 1,06 bilhão é atribuído à reavaliação de processos judiciais, atualização de entendimentos jurisprudenciais, ajustes na classificação de riscos e atualização das estimativas de desembolsos futuros.

PDV e estrutura de pessoal

Até 31 de março de 2026, 4.632 empregados que aderiram ao PDV 2024 haviam sido desligados. Desses, 2.982 já tiveram seus incentivos quitados, enquanto 1.650 ainda possuíam valores a receber. As adesões ao programa foram encerradas em abril de 2026.

A despesa de pessoal no custo dos serviços caiu 4%, mesmo com reajuste salarial linear de 5,1% no acordo coletivo 2025/2026. A redução é atribuída ao desligamento de empregados pelo PDV.

Marketplace e ativos

No primeiro trimestre, os Correios fizeram novo aporte de R$ 2,5 milhões no projeto Mais Correios, marketplace operado em parceria com a Infracommerce. O saldo do investimento passou de R$ 12 milhões para R$ 14,5 milhões.

A estatal também reclassificou dez imóveis do imobilizado para propriedades para investimento, no âmbito do plano de reestruturação patrimonial. As transferências adicionaram R$ 65,5 milhões ao grupo de propriedades para investimento.