Criador de God of War diz que PlayStation deixa personagens femininas feias de propósito

há 12 horas 4

David Jaffe, conhecido na indústria da tecnologia e dos jogos eletrônicos como o criador da franquia God of War, gerou uma nova onda de discussões na comunidade gamer após fazer duras críticas às decisões estéticas da Sony Interactive Entertainment.

O desenvolvedor afirmou que os anúncios exibidos na mais recente edição do evento State of Play confirmam uma tendência interna da PlayStation Studios: a modificação intencional de feições de personagens femininas para torná-las menos atraentes em relação às suas contrapartes reais ou das histórias em quadrinhos.

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O gatilho para as declarações de Jaffe envolveu diretamente as revelações de jogabilidade e artes de Marvel’s Wolverine, desenvolvido pela Insomniac Games, e de God of War: Laufey. De acordo com o criador, a descaracterização sistemática de modelos reais e de materiais de origem já havia acendido um sinal de alerta na comunidade em 2023 com a representação de Mary Jane Watson em Marvel’s Spider-Man 2.

Na ocasião, as alterações digitais feitas no rosto da modelo que cedeu a captura de movimentos não favoreceram o resultado final na opinião do profissional, que relembrou o conceito original da personagem nas páginas da Marvel Comics como uma modelo intencionalmente bela.

Ao avaliar a revelação de Jean Grey em Marvel’s Wolverine, Jaffe argumentou que a situação deixou de ser uma suspeita isolada para se consolidar como uma diretriz estética da própria publicadora. O produtor fez questão de traçar um paralelo entre diferentes mídias e ecossistemas comerciais para fundamentar sua linha de raciocínio, citando jogos concorrentes de cartas e de arena competitiva.

O desenvolvedor pontuou que produtos licenciados diretamente pela editora de quadrinhos, a exemplo de Marvel Rivals e Marvel Snap, não demonstram qualquer tipo de restrição ou policiamento institucional quanto à exibição de variantes sensuais ou estilizadas de suas heroínas.

O comportamento divergente nos títulos desenvolvidos sob o selo da Sony indica, na visão do criador, que as barreiras de design e a imposição por rostos excessivamente comuns partem exclusivamente dos escritórios da gigante japonesa, e não de exigências da dona das marcas de super-heróis.

Embora pondere que não defende a sexualização gratuita e sem contexto em narrativas que exijam tons sóbrios, Jaffe criticou a aplicação de filtros de realismo urbano em cenários de alta fantasia e mitologia. O desenvolvedor usou como exemplo o caso de Laufey, figura central no novo projeto derivado de God of War, cuja fisionomia digital foi alterada em comparação direta com os traços naturais de sua atriz de captura, Deborah Ann Woll.

O criador de Kratos admitiu que propostas visuais focadas em crueza e verossimilhança biológica fazem sentido em marcas consolidadas de sobrevivência pós-apocalíptica da empresa, citando expressamente propriedades intelectuais como The Last of Us e Days Gone. No entanto, ele contesta a transposição dessa mesma métrica para divindades e mutantes poderosos.

No caso específico de God of War, Jaffe ironizou a necessidade de aplicar fadiga ou imperfeições mundanas a uma deusa que quebra as leis da física, ressaltando que o público consome tais mídias em busca de entretenimento e escapismo, e não de fidelidade à rotina comum do dia a dia.

A preocupação final manifestada pelo desenvolvedor gira em torno dos reflexos comerciais que essa postura de design pode gerar a longo prazo para a divisão de jogos da empresa. Jaffe acredita que o policiamento estético e as alterações que desfavorecem o visual das atrizes contratadas geram ruídos desnecessários e atritos com a base histórica de consumidores.

O cronograma de lançamentos da PlayStation Studios segue com Marvel’s Wolverine e God of War: Laufey em desenvolvimento ativo, mas o debate inflamado por um de seus criadores mais históricos joga holofotes sobre como a empresa pretende equilibrar as demandas de fidelidade gráfica da atual geração de consoles com as expectativas estéticas de seus fãs mais tradicionais.

Essa não foi a única polêmica de David Jaffe sobre o State of Play. Ele detonou o anúncio de God of War: Laufey durante uma transmissão ao vivo. Segundo o designer, o projeto é "desprovido de inspiração" e cravou que o lançamento "está morto". Para ele, o título falha ao abandonar a brutalidade, a mitologia clássica e a violência da era grega. Por último, disse que a nova produção parece um filme da Disney.

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