Um levantamento realizado pelo Radar da Telecom estima que o Brasil tenha cerca de 5,77 milhões de conexões de Internet fixa que não aparecem nos registros oficiais da Anatel.
O objetivo foi identificar a dimensão do chamado "mercado invisível" de banda larga no País, incluindo possíveis casos de provedores clandestinos, subdeclaração de acessos e operações informais. Para isso, o levantamento cruzou dados de acessos declarados à Anatel com informações do IBGE sobre domicílios e acesso à Internet.
O levantamento classificou os municípios em diferentes categorias de acordo com o nível de discrepância entre os dados. Segundo os autores, 1.013 cidades estariam em situação considerada crítica. Ou seja, com mais de 70% do mercado estimado fora dos registros oficiais.
Outras 1.073 foram classificadas como moderadas, com índices de discrepância entre 40% e 70%. E apenas 449 cidades foram consideradas efetivamente formalizadas.
O levantamento verificou maior subnotificação estimada nas regiões Norte (26,9%) e Nordeste (25,8%). Em seguida aparecem Centro-Oeste (13,3%), Sudeste (7,5%) e Sul (4,7%).
Unidades federativas
No recorte estadual, os maiores percentuais de mercado invisível estimado foram encontrados em Alagoas (35,8%), no Amazonas (34,6%) e no Maranhão (33,6%).
Já em números absolutos, a Bahia lidera o ranking com estimativa de 777,6 mil conexões de banda larga não registradas, seguida por Rio de Janeiro (604 mil) e Pernambuco (583,6 mil).
O menor índice foi registrado no Distrito Federal. A unidade federativa é a única do País onde o número de acessos registrados na Anatel supera o valor estimado pelo IBGE. Em segundo lugar, aparece Santa Catarina (1,8% de mercado invisível) e, em terceiro, São Paulo (3,2%).
Metodologia
A estimativa foi calculada a partir da diferença entre o número de domicílios conectados, projetado com base nos dados do IBGE, e a quantidade de acessos de banda larga fixa reportados à Anatel.
O levantamento utilizou a base de acessos do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) referente a março de 2026, dados do Censo 2022 e da PNAD Contínua 2024, além de informações sobre infraestrutura de redes para validar a presença de fibra óptica nos municípios.
De acordo com os autores, parte dessa diferença pode estar relacionada à atuação de provedores sem outorga ou à subdeclaração de acessos por empresas já autorizadas. No entanto, os dados não comprovam diretamente a existência de operações clandestinas. A metodologia identifica discrepâncias estatísticas entre as bases de dados.
Os próprios autores também reconhecem limitações na análise. Um dos fatores é que os dados da PNAD medem a presença de Internet nos domicílios, e não necessariamente conexões de banda larga fixa. Além disso, a metodologia parte do pressuposto de que existe uma correspondência próxima entre domicílios conectados e acessos SCM declarados, o que pode não ocorrer em todos os casos.
Descrição das classificações adotadas pelos autores do levantamento. Imagem: Reprodução/Radar do TelecomParceria
A partir deste mês, TELETIME passa a incorporar, em sua homepage, um dashboard com os dados do Radar da Telecom, com informações sobre o mercado de banda larga fixa e móvel. Os dados são atualizados em tempo real.
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há 2 semanas
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