Para Brisanet, regionais podem abrir mão dos 850 MHz se receberem fatia dos 600 MHz

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O CEO da Brisanet, José Roberto Nogueira, apresentou uma proposta segundo a qual as operadoras regionais poderiam abrir mão de disputar a faixa de 850 MHz, desde que recebessem acesso a uma parcela da faixa de 600 MHz em futuras reorganizações do espectro, durante evento hoje, 11, em São Paulo.

José Roberto Nogueira | Ceo da BrisanetJosé Roberto Nogueira | Ceo da Brisanet

A proposta foi apresentada como uma solução para dois desafios que, segundo o executivo, surgirão nos próximos anos: a necessidade de ampliar a disponibilidade de frequências sub-1 GHz para as operadoras regionais e o risco de deterioração da qualidade da cobertura móvel em áreas rurais e localidades remotas ao final da década.

Hoje, as operadoras regionais contam principalmente com espectro em 3,5 GHz e, mais recentemente, passaram a adquirir blocos em 700 MHz. Para Nogueira, entretanto, isso não será suficiente para sustentar a expansão da cobertura de longo alcance no futuro. “Só o 700 não dá”, afirmou em debate promovido pelo site Teletime.

O debate sobre o 850 MHz

A faixa de 850 MHz é considerada um dos ativos mais valiosos para cobertura móvel devido à sua capacidade de propagação, especialmente em áreas rurais e regiões de baixa densidade populacional.

Nogueira reconheceu que as operadoras nacionais possuem infraestrutura e bases de clientes já construídas sobre essas frequências e sugeriu uma alternativa para evitar disputas futuras.

“Pode pagar a desocupação dos 600 MHz”, afirmou, ao defender que as grandes operadoras mantenham os ativos em 850 MHz, enquanto parte dos 600 MHz hoje destinados à radiodifusão seria destinada às regionais.

Na avaliação do executivo, essa solução seria mais eficiente do que dividir novamente o espectro de 850 MHz entre quatro grupos de operadores. “Para não ter essa briga lá e ter que dividir no quarto operador”, disse.

A proposta para os 600 MHz

Segundo Nogueira, uma reorganização da faixa de 600 MHz poderia reservar 40 MHz para serviços móveis, estruturados em dois blocos de 20 MHz, mantendo outros 30 MHz para a radiodifusão.

A proposta parte da avaliação de que a radiodifusão recebeu novas frequências em outras faixas, como a de 300 MHz, e que parte dos 600 MHz atende às necessidades de telecomunicações móveis.

Pela modelagem defendida pelo executivo, as grandes operadoras permaneceriam com os blocos de 700 MHz, 800/850 MHz e 900 MHz, enquanto as regionais ficariam com os 700 MHz adquiridos este ano e uma futura fatia dos 600 MHz.

Cobertura rural após 2030

O principal argumento apresentado pela Brisanet para justificar a destinação dos 600 MHz às regionais é a necessidade de ampliar a capacidade das redes em áreas remotas.

Segundo Nogueira, muitas localidades atualmente consideradas atendidas dependem de redes 4G instaladas há anos e que podem se tornar insuficientes diante do crescimento do tráfego. “A partir de 2029 e 2030 vai existir um buraco de cobertura gigante”, afirmou.

Na avaliação do executivo, parte da infraestrutura atualmente utilizada em distritos, rodovias e áreas rurais passará a oferecer desempenho equivalente ao que hoje representa o 2G. “Todo o 4G que está em periferia de cidade, que está em distrito, que está em zona rural, é o 2G de hoje”, comparou.

Contrapartida para as regionais

Em troca do acesso ao espectro de 600 MHz, Nogueira defende que as operadoras regionais assumam compromissos de cobertura em áreas onde as grandes operadoras têm menor interesse econômico. “Nós vamos instalar milhares de torres no Brasil afora, em áreas rurais”, afirmou.

Segundo ele, essa seria uma forma de aproveitar a capilaridade dos provedores regionais e evitar um futuro déficit de cobertura de alta capacidade fora dos grandes centros urbanos. “Levar conectividade de alta performance para cidades pequenas não é o DNA da grande operadora. Para a gente, é o nosso negócio”, declarou.