O governo federal já contabiliza 182 casos de uso de soluções de Inteligência Artificial (IA) em suas atividades – e a expectativa é de que esse número cresça significativamente nos próximos dois anos, de acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Isso porque há pelo menos 357 ferramentas de IA em desenvolvimento ou em fase-piloto, além de 341 casos de uso da tecnologia em prospecção.
Os dados foram apresentados pela ministra do MGI, Esther Dweck, nesta sexta-feira, 29, em evento na sede do CPQD, em Campinas, no interior de São Paulo.
Segundo ela, no espaço virtual, o setor público está saindo de um conceito de governo digital para governo agêntico, no qual o acesso a bases volumosas de dados permite conhecer melhor o cidadão e apresentar serviços públicos personalizados para cada brasileiro.
"[Isso] vai chegar à população de forma personalizada, proativa e muito mais rápida. E vai aumentar a produtividade do setor público em números inimagináveis", declarou a ministra, em conversa com jornalistas.
Na prática, a ideia é criar uma espécie de plataforma digital que funcione como "um governo para cada pessoa", levando em conta IA, governança de dados, privacidade, segurança digital e interoperabilidade.
De acordo com a ministra, ao conhecer o usuário, o governo agêntico poderá "tratar as desigualdades e indicar políticas públicas adequadas para cada cidadão".
Dweck ainda comentou que, entre os projetos-piloto, a plataforma Gov.br já conta com um chat conduzido por uma IA central do governo. No caso de perguntas específicas – por exemplo, sobre educação ou serviços de saúde – o usuário é transferido para agentes especializados em cada área. Até aqui, de 157 mil conversas, até 75% das dúvidas são resolvidas via chat.
Projeto Inspire
No evento, a ministra relatou o andamento do projeto Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética (INSPIRE).
A iniciativa é realizada em parceria com o CPQD e foi anunciada no ano passado, com orçamento de R$ 390 milhões para pesquisa via Financiadora de Projetos e Estudos (Finep) e Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A duração prevista é de quatro anos.
Em sete meses de execução, o INSPIRE soma 54 iniciativas em andamento, além de 40 entregues ou em fase de homologação.
Até aqui, em termos práticos, o projeto tem avançado em soluções como um buscador inteligente para o portal Gov.br, uma plataforma de capacitação em IA para servidores públicos e um sistema capaz de cruzar dados de diversas bases para fazer uma análise do núcleo familiar dos brasileiros, entre outras iniciativas.
"O INSPIRE representa um avanço estratégico para a soberania digital brasileira, ao estruturar capacidades nacionais de IA, fortalecer a infraestrutura pública de dados e criar condições para que o governo brasileiro desenvolva soluções críticas sob sua própria governança", afirmou Sebastião Sahão Junior, presidente do CPQD.
(O jornalista viajou a Campinas a convite do CPQD)
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há 13 horas
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