Na China, Brasil discute TV 3.0 com Banco do Brics e Internet via satélite

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chinaGoverno negocia com Banco dos Brics recursos para TV 3.0 no Brasil. Foto: Shizuo Alves/MCom

Uma missão do Ministério das Comunicações (MCom) à China foi encerrada nesta sexta-feira, 29, com negociações voltadas à parcerias e ampliação da infraestrutura digital brasileira. A agenda incluiu encontro com a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Segundo a pasta, a conversa com o NDB (conhecido com Banco dos Brics) tratou do financiamento de projetos estratégicos, como a expansão da TV 3.0, além de investimentos em data centers, cabos submarinos, redes de fibra óptica e cobertura 5G em rodovias e áreas rurais.

"A presidente Dilma foi muito receptiva aos nossos projetos para ampliar as parcerias do Governo do Brasil com o NDB", afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.

A nova tecnologia de radiodifusão já está em fase de testes no Brasil. O início da transmissão da TV 3.0 está previsto para os próximos meses nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. A expansão para outras regiões deverá ocorrer gradualmente.

Para a transição, as emissoras já contam com financiamento de US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,7 bilhões, aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Banco Mundial. Os recursos foram autorizados pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), do Ministério do Planejamento e Orçamento, no fim de 2025.

Na missão à China, o MCom também encontrou fornecedores. Siqueira se reuniu com representantes da Sony Semiconductor em Shenzhen, onde foram discutidos níveis de criticidade de componentes produzidos que podem ser utilizados na TV 3.0. A SET participou do encontro.

Satélites e a China

Na área de conectividade, a comitiva brasileira também visitou a SpaceSail, empresa chinesa de satélites de baixa órbita que recebeu, em abril, sinal verde da Anatel para operar no Brasil.

A companhia deverá iniciar suas atividades comerciais no País ainda em 2026, com autorização para explorar até 324 satélites até 2031.

"A gente sai daqui com uma expectativa muito alta e com a certeza de que o povo brasileiro terá acesso a mais conectividade, principalmente nas áreas mais remotas. Onde a fibra óptica ainda não chega, a forma mais rápida de conectar a população será por meio das soluções via satélite", afirmou o ministro Frederico, ao comentar a missão na China.

Conselheiro da Anatel presente na missão, Octavio Pieranti disse que a operação tem "potencial gigantesco em termos de conectividade", especialmente para regiões afastadas, como a Amazônia.

spacesailConselheiro da Anatel, Octavio Penna Pieranti; e ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, em visita à SpaceSail. Imagem: Foto: Shizuo Alves/MCom

A agenda na China também incluiu visita à Huawei. Segundo o ministério, a comitiva realizou reuniões com empresas interessadas em ampliar investimentos em infraestrutura digital no Brasil, em meio à estratégia do governo de expandir a conectividade e preparar o País para aplicações ligadas à economia digital e à inteligência artificial.